terça-feira, 28 de julho de 2009

O Ápice da Perfeição. O maior Drop da História do Surf.

O ano era 2005. Slater voltava ao tour faminto por mais um título mundial. Depois de um começo sem grandes resultados, todos os caminhos levavam ao Tahiti, na mais temida bancada de coral do mundo. Teahupoo era a onda da vez.

Mestre nos tubos de backside, Kelly sabia da importância que aquela vitória teria. Para complicar as coisas, nas oitavas de final tinha pela frente o Bruce, que não tava nem aí pra nada. Só queria vencer Slater – como ele mesmo disse.

As ondas estavam mágicas. As esquerdas de Teahupoo funcionavam perfeitamente, com bons tubos de 1,5 a 2 metros de face. Era a certeza de um grande show. De cara, Bruce pega um tubaço e Slater dá o troco a seguir. 8.83 para o Hawaiano, 7.5 para o Americano. Tinha muita água para rolar, e pelo ensaio, a bateria prometia entrar para a história.

“Eu estava muito nervoso, sabia do potencial do Bruce ali naquelas ondas”, confessa Slater. Dito e feito. Passado mais alguns minutos da bateria, o irmão mais novo da família Irons encontra mais um tubão perfeito, anda lá dentro e saí de forma triunfante. Kelly só assiste de camarote. Irons recebe um 9.5 dos juízes, volta sorrindo para o outside, e deixa a lenda do surf em combinação, precisando de 18.33 para virar.

Faltavam 10 minutos. Slater estava atordoado. O mundo presenciara um Rei sendo derrubado do seu trono com duas marretadas fatais, naquelas condições épicas, pelo irmão do seu maior rival. Era a história sendo escrita pelo coadjuvante do espetáculo.

Foi então que surgiram momentos em que nós, simples mortais, realmente refletimos sobre a vida; o talento, a energia, o sobrenatural, o mágico. Quando Kelly dropou aquela onda e caiu, porque ele realmente caiu, eu baixei a cabeça com um ar de decepção. Quando ele levantou e saiu, porque ele realmente saiu, eu levantei a cabeça com uma sensação que ainda não senti igual.

Com certeza, aquele foi o maior drop da história do surf mundial. Ninguém, em dimensão nenhuma fez aquilo, naquela onda, naquelas condições, contra um grande adversário, precisando de 18.33. Ali, a perfeição do Surf foi atingida. Depois daquilo, mesmo precisando de um 8.3, nada pararia o homem invencível. Slater fez mais um 10. Somou 20 pontos. E mostrou ao mundo que independentemente do Deus que você acredite, se é que acredita, no universo Surf ele atende por Kelly. Kelly “God” Slater.


Apresento-lhes o Drop:

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