quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Uma história escrita em Pipeline – Complete o final

---------------------------------- Inspire-se


Dae molecada, então, não tenho bola de cristal, mas escrevi como imagino o Pipe Masters. Agora cabe a vocês, definirem o final dessa história. Escreva o último parágrafo, que deve ser breve e mande para o e-mail blogumdois@hotmail.com. O melhor final, será publicado. Parko ou Mick? É com vocês... O prazo final é 08/12, data de início do evento.

Estou batalhando um prêmio legal para a melhor história. Aguardem..


Uma história escrita em Pipeline

Pipeline acorda clássica. 10 pés plus com a maré seca e tubos insanos. É chegado o grande dia. Mais um Aussie será coroado campeão mundial no berço do surf. Os olhos do mundo voltam-se após anos para aquele lugar mágico. Serão apenas 30 minutos. 30 minutos em que a glória e o fracasso caminham lado a lado. Mick e Parko revivem a saga de Andy e Kelly em 2004. Mas quem? Quem?

O nervosismo dita o ritmo da bateria. Em sua primeira onda, Parko desce uma bomba e tem sua prancha quebrada ao meio na bancada. A praia inteira vai ao delírio. Um aperitivo a altura do banquete que estaria por vir. Fanning é cruel, frio, calculista. Nos poucos minutos em que Joel se ausenta, o Aussie tira da cartola um 9.17, e apimenta a grande final.

Aquela nota abala Parko que, pressionado, encontra mais uma vez a afiada bancada de coral, tendo que novamente sair da água em busca de uma nova prancha. Os Deuses Hawaianos parecem não querer coroá-lo com seu primeiro título. Mick tem o relógio a seu favor, e sabe como usá-lo. Não abusa. É seletivo. Mas Joel está lá novamente, remando forte no outside. Desistir nunca foi a dele. O locutor anuncia: 15 minutos para o término.


Uma corrente de adrenalina toma conta da praia. Parko tem a prioridade, mas nenhuma nota que entre no somatório. Está ansioso. O drama da contusão parece não sair de sua cabeça. Lá vem ele em mais uma bomba, desce no limite, entuba fundo, corre, corre e sai na baforada. Comemora com nada menos que 4 socos no ar. Volta a ser o Joel Parkinson que conhecemos. Aquele 9,5 o colocou de volta na bateria e liderança provisória, já que Mick ainda espera a nota de outro bom tubo. E ela sai: 8,17. A pressão muda de lado novamente. O toque de 5 minutos é anunciado. Mas é Fanning que vem novamente em mais uma esquerda. Sua técnica encanta. Ele não dá chances, e completa o tubo com exímia perfeição. Comemora como campeão. Pode ser a nota do título. O 10 unânime é anunciado. Ele sente o gosto do bi campeonato. Restam Apenas 2 minutos. Só um milagre salva Parko, que tem a prioridade e precisa de uma nota acima de 9,7. Uma série monstruosa aponta no horizonte.

..

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Off Surf - Redemption Songs


É a mais linda de todas. É a mais pura, a mais verdadeira, a mais tudo. Nunca quis defender que Bob amava uma ou outra canção sua em especial, mas meu sentimento contrário a isso é tão forte, que não posso mais ser neutro. Redemption Songs foi sua menina mais doce, e ao mesmo tempo sua amante mais louca. Num momento mágico, que por segundos vou fantasiar em minha cabeça, mesmo sem imaginar onde, nem como, Bob parou, e sentou-se. Tirou do bolso seu humilde caderno de anotações, e do outro, um Spliff a qual tinha tanto gosto. Queimou-o devagar, e foi levado a um estado de espírito elevado. Ali, sentiu o poder de uma vida inteira de dedicação, de luta, de muito trabalho. E chorou. Chorou feito uma criança, uma criança que no fundo ele sempre foi, talvez por amá-las demais, ou talvez por ser puro como elas. Aquela lágrima dizia tudo. Aquela lágrima nunca secou. Lembrou de suas crenças, do quão difícil foi chegar até ali, das mãos do “Todo Poderoso” que o salvaram, e seguiu a escrever. Não titubeou um segundo sequer em reescrever uma palavra, elas fluíam como uma mística natural. O feeling conduzia seus pensamentos, que conduziam suas mãos. Entrara numa dimensão de paz absurda, de libertação, que só ele conhecia. Pensou em tudo novamente, e pediu humildemente, que nós, seus eternos adoradores, ajudássemos a cantar mais uma canção de liberdade. Nossa adoração, e tudo que devotamos a Nesta, é nosso, em particular. Seguir seu caminho é uma delas. Mas ele não tinha isso. Ele era o próprio caminho. E continuo a escrevê-la sem pudor. Cada vez mais louco, esqueceu-se de tudo, de quem era, da sua fama, do seu legado, dos seus compromissos. Transportou-se ao passado, voltou a ser o pequeno Nesta, lá em Nines Miles, sentado em uma árvore, com a brisa presenteando seu rosto, quando não tinha nada, mas tinha tudo, porque sempre teve, e sempre terá em qualquer lugar que esteja, com aquele sorriso inconfundível, suas Canções da Redenção.

Quando estiver preso, sufocado, não vendo a porta de saída, pare onde está, respire e escute Redemption Songs. Ela trará sua liberdade de volta, assim como trouxe a minha, antes de escrever estas palavras.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Batalha Final


O ano de 97 foi inesquecível para o nosso bairro. A febre do jogo de botão havia chegado com tudo, e Pantufa e Dodô protagonizaram a corrida pelo título mais emocionante da história.

Pantufa ganhará 2 torneios seguidos logo de cara, um deles com uma goleada de 5x1 em cima da Squadra Azurra, time com o qual eu jogava, abrindo boa vantagem no ranking. Suas jogadas eram difíceis de serem marcadas, sabia o ponto fraco de cada adversário, o que tirava o sono de todos. Até que Dodô, um talento recém descoberto, e com sede de vitória, conseguiu. Eliminou Pantufa numa semi-final, e depois dali, ninguém mais o parou.

Dodô ganhou os próximos 3 torneios e chegou ao último como líder do ranking, com Pantufa em sua cola. Ambos precisavam da vitória para levantar a taça sem depender de ninguém. Lembro que quase parei Dodô nas quartas, arrancando um empate sofrido no tempo normal, mas derrotado na prorrogação. A final entre eles era inevitável, e aconteceu. Quem ganhasse, era o cara. A rua parou. Na casa de Maiquinho, onde aconteciam os jogos, mais de 80 pessoas empilhadas assistiam o duelo de 2 jogadores que se criaram juntos, aprenderam a jogar juntos, vinham da mesma escola, mas tinham estilos diferentes.

Fanning é o Dodô de 97. Teve uma primeira metade de ano apagada, sem resultados expressivos, mas sempre ali, pontuando, incomodando, sem nunca perder os líderes de vista. Quando ganhou sua primeira etapa, ninguém mais o parou. Parece ter soltado o pé de vez. Voltou ao rip com fome por título mundial e respondeu a altura as críticas ao seu surf.

Em Pipeline, tem a nada fácil missão de vencer, ou barrar Pantufa, quero dizer, Parko. Que não é porque teve uma segunda metade de ano apagada, que está morto, pelo contrário, aquele 10 em Portugal foi a prova de que a disputa será onda a onda.


Resta aguardar, e ver com os próprios olhos se o tubo que dará a vitória a algum deles virá nos segundos final, como o gol que consagrou Pantufa com o título inédito naquele ano inesquecível.