quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Qual a bandeira do novo tour?


Quem liga para o dinheiro quando está surfando? A resposta é simples: o novo tour do Slater.

A bola da vez no surf encheu o saco. Tudo que eles queriam era mídia gratuita, e conseguiram. O novo Dream Tour, se concretizado, começa sua caminhada já no topo da montanha. Todos os sites de surf especializados só falam nisso, os comentários dos surfistas são os mais variados, todos sem fundamento, analisando o fato de ninguém saber o que acontece de verdade nos bastidores.

Mas uma coisa é certa, o novo Tour não agrega nada de bom a não ser a premiação. Pelo contrário, vai limitar muito a nova geração que vem por aí. Em vez de juntos buscarem a evolução para o esporte e, com isso, agregar um valor maior em $$, não, preferiram o radicalismo que vai na contramão da essência do surf.

Vendo de fora, Slater me decepcionou. Mas como sei que de nada sei, não me aprofundo muito no assunto, até porque ele só interessa aos queridinhos do Surf. E desse feeling eu quero distância. Laird Hamilton aplaudiria.

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=8217 e http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=12257

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Proteção Eterna

O homem a qual busquei inspiração, que gritou a liberdade em palavras, me socorreu nos momentos mais difíceis, autor das letras que mas li na vida, das músicas que tanto fazem minha cabeça, da positividade que tanto procurei. Please, play Bob Marley!

Errar é somente humano?

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Todos que me conhecem sabem que nunca fui muito adepto à tecnologia. Seus inúmeros benefícios se comparados aos malefícios, parecem mais formigas diante de elefantes. É uma luta desigual na cabeça das pessoas, que doutrinadas pela ignorância, seguem influenciadas por pequenos grupos que criam rotinas, formam gerações e inibem a genialidade. Uma guerra perdida que nos roubou os ex-futuros Marleys, Lennons, Guevaras, Nietzsches, Burroughs, Da Vincis, e tantos outros que afloram o ápice cerebral.

Perdemos a arte da rua para os jogos virtuais. Ganhamos bens descartáveis no lugar dos mais duráveis, a magia de um encontro casual por palavras pré-prontas no Orkut, e tantos outros vagões que deixam este trem cada vez mais feio e sem graça.

Em contrapartida a isso, a tecnologia voltada para o surf é utilizada de forma quase sempre inteligente por nós, surfistas. Pois a transformamos em uma veia, e não no coração, que será sempre o surf.

A maior de todas as vitórias considero a previsão. Sol, chuva, ondulação, vento, período, não importa. Você já sai de casa com um planejamento certo, a prancha certa, e sabendo qual o pico certo. Fantástico. Útil. Inteligente. Será?

Sábado sai chutando a água após uma session que marcava vento terral, com intensidade fraquíssima e um tamanho totalmente oposto ao que encontrei. Tudo errado. Achei que estava louco. Em certo momento no outside, brinquei com um brother, - vimos à previsão para Gold Cost, só pode.

No fim do dia, corri para internet e confirmei o erro da previsão. Analisei que a ondulação baixaria ainda mais para o domingo (como ainda marcava hoje pela manhã), com um vento nordeste forte, e resolvi esticar na noite. Ao acordar, 10 am, percebi que o vento era quase zero. Peguei minha 6,0´ e fui me jogar nas merrécas na frente de casa. Para meu espanto, ao chegar, me deparei com um mar gigante. As séries chegavam aos 8 pés nas maiores, os tubos rodavam secos, a textura perfeita, o crowd era intenso, adrenalina pura. Tava de sonho.

Eu? Achei que estava realmente louco, não entendi nada, esfreguei os olhos 5 vezes, me joguei de pranchinha mesmo e fiz a cabeça. Mas e no próximo, será a tecnologia minha inimiga novamente?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Minha prancha. Meu amor.

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---------------------------------Minha Sereia

Todos nós devotamos um amor especial a alguma coisa na vida. E quando falo coisa, não me refiro a ideais ou estilos de vida. Refiro-me a um carro, um cachorro, uma coleção de isqueiros, uma garota, uma guitarra, um computador, ou até uma camiseta.

Seja lá o que for isso torna esta “coisa” única e inseparável. Nós, surfista de alma, não somos diferentes. A adrenalina de saber que em poucos dias uma prancha nova estará em nossas mãos, é tão ou mais extasiante do que ver pipeline quebrando em condições épicas.

Ela não é um objeto, é um desejo. Daqueles que você dorme pensando, e acorda parecendo que nem dormiu. As medidas são dos sonhos, a rabeta com um acabamento perfeito, a fluidez de uma deusa, e a sintonia na melhor frequência.

No primeiro encontro, é amor a primeira vista. Não tem jeito. Quando junto dançamos, o sentimento dá lugar a admiração, - ela é realmente perfeita. Voltamos no tempo, parecendo crianças em frente a um pirulito. Fizemos loucuras, tomamos banhos juntos, limpamos seu rosto para ficar branquinha, juramos amor eterno, somos vistos como loucos pelos vizinhos, e só não a levamos para a balada, porque somos ciumentos demais.

Mas nem tudo são flores. Quando ela se machuca, nosso coração aperta. Vamos atrás dos melhores hospitais e nem pensar em entregar na mão de qualquer médico. Tem que ser o melhor. A espera nos deixa aflitos, nossos dias não são como antes, e quando a cicatriz fica muito grande, derramamos água salgada pelos olhos, porque no fundo ou no raso, somos loucamente apaixonados por ela.

O tempo é o senhor da razão. E como tudo na vida, a velhice também chega. Sua cor já não é mais a mesma, seu desempenho não nos satisfaz mais, sua velocidade deixa a desejar, mas nunca a abandonamos, nem que seja para enfeitar nosso quarto e nossos olhos.

E por essas e outras, que eu sou louco por ela quanto pelo mar. Porque sem os dois, eu estaria todos os dias a procura de um grande amor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Da areia para água


A base para qualquer coisa na vida e que sempre foi uma das bandeiras levantadas pelo surf, é a ausência de preconceito. Essa deveria ser a característica básica do ser primitivo homem. Mas não. Taxamos pessoas conforme nossas visões, nossos conceitos, nossos ideais, quando na verdade “se você julga as pessoas não tem tempo para apreciar suas qualidades” - disse-me certa vez um brother.

No universo feminino do surf isso não é muito diferente. O preconceito existe, sim. E de forma gritante. Analisando pelo lado da mídia, as garotas são jogadas de lado, patrocinadores quase não existem, os eventos são poucos, com baixa premiação e uma cobertura medíocre.

Dentro de casa, a ignorância é ainda maior. Na maioria das vezes, o apoio por parte da família é quase zero. Como se o surf não fosse uma profissão tão bela quanto o balé e digna quanto à psicologia.

Mas o que mais me intriga é o preconceito dentro da água, que neste caso, está ligado a uma forma de machismo. As garotas são rabiadas na cara dura. O respeito foi deixado na areia. Piadinhas de mal gosto são constantes. Analisa-se muito mais a bunda do que o surf , e por aí vai. Viva os haoles pegadores de gripe.

Na contramão disso tudo, as meninas estão quebrando, vivendo seus sonhos, fazendo a cabeça com o surf. Se a força física atrapalha, mentalmente elas dão aula de persistência. E se o apoio não vier de quem ama o surf, assim como elas, vamos esperar que venha de quem?

Se sua praia está lotada de haoules bancando tubarões, comece a caçada ao preconceito, porque a minha está lotada de gatinhas virando sereias.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sonhos de um sonhador

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Um dia viverei tudo que escrevo. Serei dono do meu nariz. Sairei por aí com o tesão de quem tem fome por ondas, livre ao meu gosto, preso ao meu destino. Irei de encontro ao desconhecido, esbanjarei minha juventude, brincarei com as crianças, cantarei com os mendigos, brindarei o sol todos os dias, dando risadas em outsides pelo mundo afora.

A desculpa do dinheiro que tanto me atormenta, a cada dia perde uma batalha para meu sonho. Se não o tenho suficiente para tanto, nem para pouco, meus pés e minha vontade assumirão seu lugar. Trocarei o conforto de um banho quente por uma barraquinha em frente ao mar. Deixarei meus brothers e irmãos por desconhecidos que nem imagino encontrar. Buscarei meu alimento em árvores em vez de restaurantes. Serei livre. Livre como nunca fui.

Nascerei novamente.

O obstáculo da motivação é o medo. E quando você é dependente só de você, muitos pensam que o medo vence. Mas nada, nada é mais forte do que a sua força, o seu sonho. O mistério que guarda o amanhã é um imã para mim. A filosofia de mundo que tanto reflito são as páginas em branco. E o surf, ah o surf é a veia central que bomba meu coração todos os dias.

Quero que se foda tudo. Por que esse maldito capitalismo a qual tenho tanto desprezo, não será suficiente para derrubar o que um ser humano tem de melhor: viver como quiser a sua vida.

Inspire-se.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Rob Machado de volta à vida

Rob “style” Machado separou-se há pouco tempo. Deixou pra trás mulher, filhos, mas não o gosto pela vida. Ciclos são feitos de início, meio e fim, mesmo quando prematuros. Fecha-se um capítulo, abre-se uma página em branco. Grande pessoa que é, o magrelo mais estiloso que o Surf conheceu, começou a escrevê-la internamente em uma busca frenética pelas ondas na indonésia.

Preferiu o barulho do mar ao dos carros, o canto dos pássaros ao despertador, a vida tranquila ao agito. Rob isolou-se. Fez da reflexão sua companheira inseparável. Remou na onda mais difícil da sua vida, mas não encontrou a afiada bancada de coral, pelo contrário, saiu na baforada em grande estilo junto a sua barraquinha com espaço para ele mesmo.

Não perdendo a oportunidade, Taylor Steele aproveitou este momento genial e espiritual e filmou “The Drifter”, que por tudo que apresenta promete ser um clássico com previsão para setembro deste ano.

Uma grande história. Altas ondas. Um cenário alucinante. E a nova liberdade de Rob. Assista. Pode ser que assim, você nunca desista como ele, de encontrar a sua.


Valeu a dica Alemão!

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=7997 e http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=12032

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Quebrando tudo na Surf Art

Engraçado como coincidências acontecem. É a positividade do surf correndo os pensamentos. Após publicar a matéria sobre o secret, recebi hoje pela manhã uma pintura que meu primo e brotherzão havia encomendado com um maluco que pira na Surf Art, conhecido como Marcos Art Surf. A tela dispensa comentários. Mando bem moleque. Aprecie e sinta o cheiro da tinta salgada.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

A busca pelo Secret

A febre da calça jeans nos anos 50 arrastou multidões as lojas do mundo todo. Hippies exibiam-se na década de 60 ao seu bom gosto sem ligar pra nada. A opressão tinha que acabar. O animal homem era revolucionário. Verdadeiro.

O Rock and Roll repetiu o feito nos anos 70, imortalizando heróis, criando ícones, elevando a rebeldia. A juventude estava em êxtase. O Woodstock deu um nó na cabeça dos engravatados. Os valores estavam mudando. Marley metralhava os maus de alma com suas palavras. O reggae também começara a ganhar o mundo.

O surf era visto como um esporte de drogado e vagabundo. O skate muito mais. Os Z-Boys, de Dogtown, comunicavam-se através de rodinhas. Era sim possível inventar, ir mais além, ser inovador. Wayne Bartholomew desenhava linhas na água com um surf jamais visto, acompanhado por Mark Richards e uma turma com um feeling surreal. Era o despertar para novas tendências. O novo já nascia velho. A tecnologia não passava de lixo se comparado a esses movimentos.

Os anos 80 trouxeram uma nova visão do vídeo clipe. Michael Jackson era o cara. O vídeo-game doutrinou a cabeça da molecada na década de 90. Ayrton Senna esbanja talento. O tetra viria de forma medíocre. Mas veio.

E hoje em dia, nos anos 2000, se assim podemos chamar. Qual é o “boom” tirando as porcarias inúteis tecnológicas? O surf? Não. É o Crowd.

O que mais cresceu no mundo, foi o crowd. Seja no surf, no metrô, na padaria, nas baladas, onde for. O caos é total. Somos assombrados pelos nossos vizinhos humanóides todos os dias. Não importa a praia que você chegue, se tiver onda, tem gente surfando. Isso não é bom. Isso não gera a positividade.

O surf tá no seu melhor momento. A evolução é visível. Os equipamentos melhores. As manobras mais radicais. Mais, mais, mais e mais. Tudo cresce menos as praias.

Encontrar um secret hoje é tudo que um surfista sonha. Surfar altas ondas só com os brothers já é entrar na água de cabeça feita. Uma busca tão intensa quanto à onda perfeita.

Como procurar? Isso é um segredo que cada um protege a sete chaves, pois quando o assunto é o mapa do tesouro, até pirata abre o olho. Garimpe o seu, pois o meu, está escondido a 50 metros de casa.

-----------------------Secret / quintal de casa em dia épico

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=7943 e http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=12000

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Surf é poesia. Meu amor, quem diria.


Do salgado fez o doce.
De nada sabia, tudo possuía,
que belo seria, dropava, sorria.

Era encanto, mar, poesia.
Se brilhava, estava.
Se partia, chovia.
Amava, pura magia.

Moleque atrevido,
amante das coisas que não se via.
Foi súdito, virou príncipe,
quem diria, reinaria.

Alma leve, eternizada,
da pureza que o fez, pelo sempre dependia.
Horizonte de paixões,
meu surf em minha vida,
assim seja,
o destino traçaria.


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dois Rivais. Um só destino.

Hoje a tarde um brother, surfista e antigo colega de trampo me fez um questionamento: “por que você não escreve no blog sobre o “A Fly The Champagne”?

Realmente o filme merece aplausos. A produção, as ondas, a trilha sonora, o cenário e os atores, o colocam na lista das grandes obras do surf mundial.

Provavelmente o que motivou Slater a encarar a barca, foi pela primeira vez fazer uma trip ao lado de Irons. E sem dúvida, o que impulsionou Andy, foi fazer um freesurfer sem obrigação nenhuma ao lado de Kelly. Isso já basta para eles.

A maior rivalidade da história do surf se tornou uma grande amizade. Homens de verdade não se odeiam, se respeitam. Kelly confessou que Andy foi seu maior carma. Andy confessou que Kelly foi seu maior adversário.

O surf é mesmo mágico. Capaz de unir a água e o óleo em um mesmo recipiente. Tente imaginar Tyson e Holyfield saindo juntos para dar um rolê atrás de uma briga. Impossível, não?

Pois bem, no surf tudo é possível. Para completar o time que pega altas ondas nos secret points mais sinistros do mundo, as filmagens ainda contam com o insano Shane Dorian. Fica a dica para quem não assistiu. Já que foi dela – uma dica – que surgiu a ideia de escrever este post.



Publicada também http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=11914 e http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=7964