sexta-feira, 10 de abril de 2015

Lembranças me fazem escrever. Talvez só por hoje!


O que seria da vida sem as lembranças?
Lembro de tantas.
Andy perdendo injustamente para Slater na última onda num Bell’s Beach clássico.
O frio na barriga de chegar na Ozzie com uma mochila nas costas.
A primeira onda em Bali. O primeiro encontro com os corais.
O 3x2 histórico com 2 jogadores a menos no Bra-Pel.
Lembro de tantas, que as vezes esqueço de outras que seriam inesquecíveis.
A trilha da vermelha. A viajem do DMT. A fogueira em Naufragrados. O "flush Nuts" na mesa final. O show do Soja no "Opinião". Os milhares de pratos lavados. O olhar da menina solitária. As tristes despedidas (e foram tantas). Aquele doce que deu errado num domingo chuvoso. Aquela vaca na melhor onda do dia. Rrrrrr!!!!
Lembranças são como pequenas partes de um quebra-cabeça que vivemos.
A maioria deixa saudades porque não voltam, não importa o dinheiro que você tenha, quem você seja, o que você faça. Ao menos em uma coisa somos todos iguais! 
Lembranças são tristes.
a batida do carro na estrada. A notícia da morte de Andy. A derrota amarga no último minuto. A noite que nunca acabou. A prancha quebrada ao meio. O preconceito contra o mendigo. O cachorro atropelado.
Lembras são felizes.
O maior mar da vida. O primeiro tubo. A chegada na ilha. Um romance de inverno. O beijo roubado. O trabalho voluntário. O pôr-do-sol em Uluwatu. Assistir “into the wild” pela décima vez. Escutar “Woman no Cry” num trapiche qualquer. Ler "On the Road" jogado na rede.
Lembranças vão sempre te perseguir, quer você queira, quer não.
Do nada, aparecem sem avisar, assim como vento, assim como a morte.
Se você quer um conselho, lembre-se: lembre-se!
Por mais que dê saudades, por mais que sejam um labirinto sem saída, lembre-se!
Por mais que queiram ser vividas novamente, por mais que dê aquele saudosismo, lembre-se!
Porque sem elas, somos apenas uma praia sem areia, sem brilho e sem vida.
Lembre-se disso!


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Meus sonham começam com A


A Austrália sempre foi meu carma. Sempre.
Coisa de outra vida ou da minha cabeça, pesa do mesmo jeito.
Ainda estou aqui, minha mente já embarcou faz tempo.
Hard work, novos brothers, inglês arranhando, o sonho de Snapper, a perfeição de Kirra, a realização de um sonho. Faltam poucos dias.
Tudo novo, mas não de novo.
Porém nem tudo é euforia. Andy ainda assombra meus pensamentos.
Nunca, em dimensão alguma, existirá outro A.I.
Já li muito, e muita coisa não gostei.
Não escreverei nada a respeito.
Andy mora no meu coração, na minha inspiração, tá no meu surf, tá no meu fundo de tela, faz parte da minha história.
Digo com orgulho: se não vi pelé jogar, vi Andy surfar.
Isso basta.

Toda vez que entrar no mar, lembrarei seu nome.

My eyes won`t dry.
Rest in Peace, dude!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

E lá vou eu..


Todo sonho vale um sacrifício, diriam os poetas anônimos de rua.
Penso eu, que vale dois, três, ou até quatro.
Voltei ao aquário de gente por pouco tempo, mas com um sorriso no rosto, o esforço será recompensado em grande estilo, quem dirá com os canudos cilindricos e mágicos da Indonésia.
Lá vou eu, caminhando com muitos ao meu lado, solitário em meu interior, e perdido nesta estrada que tanto amo.
Lá vou eu, chutando o egoísmo a cada dia, melhorando minhas manias, ouvindo mais que falando, aprendendo na mesma moeda que ensinando.
Lá vou eu, sempre com espírito de moleque, mesmo sem ter ideia onde tudo isso vai me levar.
Sei que minhas respostas só virão no dia da minha morte, então até lá, por que não inventar mais algumas perguntas?

E assim vou eu, carregando minha alma, minha mochila, minha prancha e meu reggae de Marley.

Blessed!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Existe tal lugar



Existe um lugar em que o tempo parou. Existe sim, um lugar, onde o mais importante ainda é viver. Neste lugar vivem poucas pessoas, neste lugar você caminha sem pensar no amanhã. Aquele que está nele e busca refúgio no seu relógio, é porque nele não está. E o estar, quase nunca é fazer-se presente. Estar é sentir. É feeling. As árvores são mais verdes, os animais mais alegres, seus habitantes mais tranquilos. Fogão a lenha, radinho a pilha, bicicletas no lugar de carros. Se você andar até o fim da estrada de terra, encontrará o que culmina no ápice da perfeição deste lugar: o mar. E que mar. Uma benção de Deus para quem acredita, uma benção do acaso para os mais céticos. Sinceramente, tanto faz. Este lugar não precisa de explicação, de imagens, de nada. Este lugar precisa exatamente de tudo que ele tem. Este lugar habita o coração de todos que um dia já passaram por ele. Quem nele esteve, nunca esquece. E quem nunca teve o prazer de apreciar seus encantos, ainda o procura. Deve ser por isso que seu nome lembra uma flor que representa o amor. Aqui estou eu, neste momento, neste lugar, escrevendo estas poucas palavras para sempre lembrar que, em algum cantinho do mundo existe tal lugar solitário que se esqueceu do homem e, por sorte, o homem também se esqueceu dele. Por aqui deixo as palavras, porque o que vejo agora tira completamente minha atenção. Sentimentos e sentimentos. Amém. Abençoado seja.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Deu saudades



Faz tempo que não escrevo nada, simplesmente nada, nem uma linha se quer.

Espanha campeã – com merecimentos -, quintal de casa voltando a bombar, sentimentos contraditórios dando voltas na cabeça, noites mal dormidas por bons motivos, mudanças à vista, conta bancária apertada, novas lições de Garcia Marques no visionário “Cem anos de solidão", e como sempre, lost! Dá pra notar que motivos e inspiração não faltavam, mas por alguma razão as palavras andavam distantes. E assim, sem mais nem menos, bateu uma saudades, daquelas incontroláveis, fazendo com que meus dedos não dessem trégua às teclas. Uma tal saudade que me corrói por dentro todos os dias. Saudade de tanta coisa que vivi, e de tantas outras que ainda sei que vou viver. Saudade do passado, do futuro e curiosamente, até do presente. Lembranças são como tatuagens. Vão estar lá a vida inteira, quer você queira, quer não. A saudade tornam os momentos felizes um pouco tristes, e as tristes, aceitáveis.

Darei uma pausa a pensamentos existenciais. Respostas nunca serão mais importantes que perguntas. Deixarei isto para a velhice, talvez.

E voltando a realidade, olha a bruxa solta no WCT. Dean Morrison com a cara em frangalhos na Gold Coast. A sombra dos Cooly Kids provou do próprio veneno e levou uma garrafada numa festa na coolangata, local onde nasceu. Respeite para ser respeitado, dentro ou fora de casa, senão o resultado é inevitável. Parko também fora de Jefreeys, e fora da briga pelo título. É impressão minha, ou Slater tá começando a sentir o gostinho do décimo título? Mick e Taj são os únicos que podem azedar o molho barbecue do americano. Estou curioso para ver o Jadson naquelas intermináveis direitas Africanas, aliás, não só eu, o mundo todo. Chegou a hora da verdade para a maior aposta brasileira dos últimos anos.

Faça a vida valer a pena, mesmo se o caminho for de rosas ou de espinhos, ao lado do seu cachorro ou da mulher da sua vida. Foi isso o pouco que aprendi esses anos todos.

Good Vibes! Good Waves!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bola de Cristal

É, o tempo passa. Ficam as lembranças.
Essa o Bruce não esquecerá jamais. Lembro desse dia, tava realmente alucinante, dava medo de olhar.
O mais insano dos irons brothers realmente tinha tudo para ser ô cara, mas preferiu ser a sombra, sem a rede e com algumas bebedeiras a mais na conta.
Isso me lembrou os dias cabulosos de 2,5 metros no Santinho, bancada rasa, gurizada com sangue no olho.
Tudo pela adrenalina.
Descubro o Brasil a cada dia, amanhã sei que ele pode me fazer falta.
Vai moleque! Ninguém te segura mais.
E o mundo dá voltas, depois de tanta onda e tanto pico diferente, me deparo com a irmã gêmea do cassino, onde tudo começou.
Vento sul continua sendo meu carma, um dia morarei num pico onde ele é terral, este ódio todo no fundo vai se tornar amor.
O surf me chama.
E o que mais me chateia, é que eles nunca entenderão o sentimento de descer uma onda.
Pobres mortais, sempre serão.
Aloha!Good Waves!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Por aí...

Sei que ando muito ausente das palavras e, consequentemente do blog, em virtude da dedicação a um projeto literário e as ondas.

Nesse tempo fiz coisas interessantes, assisti o Pasti, que sem dúvidas é um tapa na cara de uma sociedade que se esqueceu de viver, e da minha, que também saiu machucada.

Recusei um emprego que me renderia uma boa grana. Enjaulado nunca mais. Prefiro beber água na praia, a champagne na prisão. Sou mais passarinho que humano.

Senti saudades de algumas pessoas que deixei. Isso é ruim mas é bom. Nos torna cada vez mais fortes, porém duros. Ser uma geleia faz bem pra alma.

Me isolei um tempo no meio do mato. Precisava desse combustível. A energia da natureza e do mar me completam.

Vi o Taj repetir o roteiro de todos anos. Começa bem, algo acontece em sua cabeça e a maionese desanda. Vai alemão, tá na hora de um título mundial.

Joel ainda está abalado com a perda do título do ano passado. Jordy deu pinta de que esse é seu ano, não aposto nisso. Jadson será a grande sensação do circuito, quem conhecia seu surf, não duvidava disso. Mineiro tá quebrando, mas só isso não serve, resultados mornos não o levarão a título nenhum. Fanning sempre focado, obstinado, é uma grande aposta para o título. E Slater sempre aprontando das suas, será?

WCT na Vila vem aí. E algumas perguntas serão respondidas. Levarei meu caderninho.

Mudando de assunto. Alguém viu o que o Messi anda aprontando? Eu não. Meus olhos estão cheios de água salgada.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Off-Surf - Yes me Friend


Estou de partida. Indo ao encontro de um velho amigo. Um amigo que não vejo nem falo há um bom tempo, mas que me trás saudades toda vez que penso em como nos dávamos bem. Este amigo mora num lugar mágico. Um lugar onde a vida está em primeiro lugar. Lá não existem regras, nem julgamento, nem maldades, nem injustiças. Lá só existe a beleza, o mar e o reggae. Tudo é puro, você se encantaria se fosse lá comigo, prometo levar-te um dia. Estou precisando muito, muito encontrar este amigo. Nele busco algo que perdi há algum tempo, ou se não perdi, me esqueci de encontrar. Este meu amigo uma vez na vida pensou estar completamente sozinho, e quando abriu os olhos, percebeu no auge de sua solidão, que estava rodeado de almas boas. E sentiu-se forte, sentiu-se verdadeiramente forte para encarar seus medos, suas dúvidas e tudo que considerava injusto. Estou indo para lá de cara limpa, com a mente aberta de corpo e alma. Preciso saber, preciso muito saber se este meu amigo ainda é aquela pessoa que um dia conheci. A grande pessoa que conheci. Preciso saber se ele pensa como antes, se aquelas almas ainda o acompanham e se, aquele homem que rangia os dentes diante das injustiças, ainda habita em seu peito. Preciso e vou ao seu encontro. E quando encontrá-lo, se ele ainda estiver lá, sentirei uma paz, uma paz que ele me trazia, porque me encontrarei, neste momento, comigo mesmo.


Yes me friend, me friend
We deh 'pon street again
yes me friend, me good friend
Dem set me free again
-
the bars could not hold me
force could not control me
they tried to keep me down
but Jah put I around
-
yes ive been accuse
dand wrongly abused now
but through the powers of the most high
they've got to turn me loose

Duppy Conqueror – Bob Marley
Alguém tem um emprego pra mim? Haha!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Super Medina


Queimo minha língua. Há 2 posts atrás, falei que me preocupava o número de Medinas espalhados pelo mundo que desconhecemos.
Mentira! O garoto é único, é mágico, é, sem dúvidas, a maior promessa do surf mundial na atualidade.
Pelo pouco que conheço dele, é focado e tem a cabeça no lugar. Fundamental.
Slater, pela primeira na história, sente que pode perder a prioridade no mundo do surf.

E, o Owen wright deve estar tonto em casa, de tanto assistir os vídeos do Gabriel.
Ou talvez do Spiderman? Tanto faz, eles tem mesma genética.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O topo da Montanha

----------------------------------Gold Coast clássica

Todos nós temos sonhos na vida. São eles o nosso combustível, a nossa motivação e, na maioria das vezes, nossa razão de viver. Quando alcançamos, percebemos que o caminho até a montanha é mais importante que chegar ao seu topo. Mas, com o tempo, esse topo não nos satisfaz mais, e a aquela velha história da grama do vizinho vem à tona novamente. Lá vamos nós atrás de uma nova montanha. Se os deixarmos de lado, perdemos para o medo, para nós mesmos, para a vida. Ensinamentos do mestre Castaneda.

Quando cravei a bandeira em minha primeira montanha, achei que seria o suficiente. Engano. Nem as lembranças da estrada e aventuras que ela me proporciona diariamente, satisfazem uma alma sedenta pelo desconhecido.

Austrália. Essa palavra mágica por anos habita meus pensamentos e, por que não, motiva minha vida. A estrada desta vez é mais rochosa, tem mais espinhos, necessita de muita vontade e de uma batalha suada diária e incessante para conseguir apenas dar o ponto de partida: dinheiro. Odeio essa palavra, limitadora de sonhos. Mas amo a vontade, realizadora de desejos.

O topo desta vez é a Gold Coast. Nada mais. Estar apenas ali, sentado naquele outside mágico, num país que respira surf, ao lado dos caras que sempre admirei, é por mim e, por todos os surfistas que conheço, o pico mais alto do Everest para os alpinistas.

Penso nisso todos os dias. Mas penso também, que quando chegar lá e sentir aquela sensação única e maravilhosa, de estar de cabeça feita pelas dificuldades da montanha, o tempo pode deixá-la menor, e o vizinho acenar pra mim novamente “olha eu aqui”. Aí quem sabe, eu volte a sonhar de novo, e desta vez, com aquela que pode não ser a mais desejada, mas com certeza é a mais temida: Pipeline. E assim, vamos vivendo e sonhando. Por que não?

Hawaii

Um conto da série "Palavras Salgadas" publicado na BlackWater!

http://www.blackwater.com.br/site/2010/01/27/contos-hawaii-por-juliano-borio/

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pró-Junior

------------------------ Maxime conseguiu o impossível.

Éramos 3. Eles apenas 1.
Na matemática, 75% de chances de vitória. No surf, quase 100%, pelo nível e competência de nossos atletas.
Perdemos para o improvável.
Perdemos o Pró-Junior.
Perdemos.
Mas, Medina ganhou os olhos do mundo novamente. Jadson mostrou um surf moderno e de gente grande que promete tirar o sono dos “coroas” do WCT. E o Alejo, que para mim sempre foi uma incógnita, parece que, depois de Sunset e Narrabeen, quer fazer de 2010 o seu ano.
E agora eu me pergunto, será mesmo que perdemos? Ou era apenas um troféu?

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Alerta máximo!

------------------------Alejo destrói no mundial pró-junior

Nossas maiores promessas, exceto Alejo e Guigui, caíram na primeira fase do Pró-Junior.
Isso é um alerta? Não, apenas um apito, eles se erguerão, passarão pela repescagem e talvez até, irão consagrar-se como os Reis da Cocada Preta.
Mas, como canso de falar, quantos Medinas existem espalhados pelo mundo que não conhecemos? Agora sim, liguem o alerta máximo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Saudades do Inverno

--------------------Quando verei o quintal de casa assim no verão?

Já com tudo no esquema, só falta eu escrever esse breve texto para dar um até logo à ilha da magia.
Estamos partindo agora para o Rio de Janeiro num carro atrolhado de pranchas e moleques sedentos por ondas. Mas, que ondas? Pergunto-me toda vez que olho a previsão. Esse negócio que surfista gosta de praia, sol e mulher bonita é furada, tirando a última opção, é claro.
Lembro-me, neste momento, do inverno. Tenho saudades do frio, das noites congelantes, da previsão assustadora, do swell de 6 pés que teimava bombar séries perfeitas outsides Brasil afora.
Lembro-me também, da chatisse de colocar aquele long molhado, aquela botinha apertada e, por que não, aquela toca que nos deixa parecendo ETs aquáticos.
Lembro-me de tudo isso. E lembro como torcemos pela chegada do verão, do sol e das bundas douradas.
O mundo é mesmo uma contradição.
Ora o cortador de grama. Ora a grama do vizinho.
Observo minha toca ali, quietinha, sem previsão de uso.

Tenho saudades dela, do frio e das ondas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Congratulations Mick!

Escrever sobre a bola da vez é chato. Mas, neste caso, como Mick é leitor assíduo do blog, merece algumas poucas palavras. Haha.

Fanning é o atleta mais dedicado e obsessivo que conheço. Esteve longe dos holofotes até o meio do ano quando, em uma virada incrível, mostrou ao mundo que nunca se deve esquecer um campeão mundial.

Chutou a rabeta, acelerou no circuito e com um surf que encanta, venceu. É Bi-Campeão do mundo com méritos e, digo sem dúvidas, ano que vem é o cara a ser batido.

Parabéns Mick! Uma máquina de fazer atletas como a Austrália só poderia formar uma máquina de conquistar títulos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Resultado Promoção Pipeline

Bom, valeu a participação de todos, que não foram poucos, nem muitos. Tivemos 14 finais diferentes. A escolha se deu por um final um tanto atípico que, mesmo acreditando não acontecer, foi engraçado. Quem enviou foi Rosana Costa, 22 anos, surfista do Rio de Janeiro, e levou o mérito.
Infelizmente não consegui nenhum prêmio para dar ao vencedor, mesmo tendo tentado assinaturas de quase todas revistas especializadas em surf do país. Pelo visto, sai muito caro pra eles. Haha

Veja como ficou a história completa:



Uma história escrita em Pipeline

Pipeline acorda clássica. 10 pés plus com a maré seca e tubos insanos. É chegado o grande dia. Mais um Aussie será coroado campeão mundial no berço do surf. Os olhos do mundo voltam-se após anos para aquele lugar mágico. Serão apenas 30 minutos. 30 minutos em que a glória e o fracasso caminham lado a lado. Mick e Parko revivem a saga de Andy e Kelly em 2004. Mas quem? Quem? O nervosismo dita o ritmo da bateria. Em sua primeira onda, Parko desce uma bomba e tem sua prancha quebrada ao meio na bancada. A praia inteira vai ao delírio. Um aperitivo a altura do banquete que estaria por vir. Fanning é cruel, frio, calculista. Nos poucos minutos em que Joel se ausenta, o Aussie tira da cartola um 9.17, e apimenta a grande final. Aquela nota abala Parko que, pressionado, encontra mais uma vez a afiada bancada de coral, tendo que novamente sair da água em busca de uma nova prancha. Os Deuses Hawaianos parecem não querer coroá-lo com seu primeiro título. Mick tem o relógio a seu favor, e sabe como usá-lo. Não abusa. É seletivo. Mas Joel está lá novamente, remando forte no outside. Desistir nunca foi a dele. O locutor anuncia: 15 minutos para o término.

Uma corrente de adrenalina toma conta da praia. Parko tem a prioridade, mas nenhuma nota que entre no somatório. Está ansioso. O drama da contusão parece não sair de sua cabeça. Lá vem ele em mais uma bomba, desce no limite, entuba fundo, corre, corre e sai na baforada. Comemora com nada menos que 4 socos no ar. Volta a ser o Joel Parkinson que conhecemos. Aquele 9,5 o colocou de volta na bateria e liderança provisória, já que Mick ainda espera a nota de outro bom tubo. E ela sai: 8,17. A pressão muda de lado novamente. O toque de 5 minutos é anunciado. Mas é Fanning que vem novamente em mais uma esquerda. Sua técnica encanta. Ele não dá chances, e completa o tubo com exímia perfeição. Comemora como campeão. Pode ser a nota do título. O 10 unânime é anunciado. Ele sente o gosto do bi campeonato. Restam Apenas 2 minutos. Só um milagre salva Parko, que tem a prioridade e precisa de uma nota acima de 9,7. Uma série monstruosa aponta no horizonte.

Os 2 remam forte. Parko, que tem a prioridade, vai na melhor da série mas é engolido pela onda. Não restam dúvidas, Mick será campeão. Parko ainda consegue voltar ao Outside. São apenas 30 segundos. Só uma onda milagrosa para salva-lo. E ela vem. Fanning com a prioridade não dá chances e dropa a morra, não sabendo que a melhor da série seria a próxima. Parko rema forte e dropa. A sirene apita. A essas alturas Mick na beira da praia torce pra que ele não saia daquele tubo animal. Mas ele sai. Será que foi o suficiente? A praia inteira aguarda pela nota. Parko sai comemorando muito, precisa de um Hi-score. Fanning cumprimenta-o como se já prevê-se seu título. Ele sabe que o tubo foi um 10. A nota vem. Mas não o suficiente para virar a bateria. Joel se revolta, corre até os juízes, reclama da pontuação, não aceita sua nota. Na areia sagrada do Hawaii, o que se ouve são muitas vaias. Aquilo foi um 10, sim. O aussie segue descontrolado e joga sua prancha em direção palanque, quando um dos juízes tentam conte-lo. De nada adianta.

Fanning sente pelo companheiro. Sabia o quanto buscava aquele título. E sabe também que aquela nota foi injusta. No pódium, todos aguardam os protagonistas do espetáculo que, por algum motivo, não aparecem. Nem Mick, nem Joel. Ninguém entende nada. Mas eles não aparecem. A cerimônia novamente é regada a vaias, enquanto espalhavam-se rumores de que os 2 foram vistos juntos depois da final em praia próxima, surfando altas ondas e sentindo o verdadeiro feeling do surf: a amizade e o respeito do que sempre serão os Cooly Kids do Surf Mundial.

Valeu a todos mesmo.
João Macias, Dado(quase sua história foi a escolhida), Roberta Marques, Marcio Gean, Cassios bustos, Carmelo Dias, Gustavo Arruma, Leon Amíbio, Tita ambrósio, Carla silva, Marcos Mutti, Patrícia Freitas e Alexandre Roberto.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Uma história escrita em Pipeline – Complete o final

---------------------------------- Inspire-se


Dae molecada, então, não tenho bola de cristal, mas escrevi como imagino o Pipe Masters. Agora cabe a vocês, definirem o final dessa história. Escreva o último parágrafo, que deve ser breve e mande para o e-mail blogumdois@hotmail.com. O melhor final, será publicado. Parko ou Mick? É com vocês... O prazo final é 08/12, data de início do evento.

Estou batalhando um prêmio legal para a melhor história. Aguardem..


Uma história escrita em Pipeline

Pipeline acorda clássica. 10 pés plus com a maré seca e tubos insanos. É chegado o grande dia. Mais um Aussie será coroado campeão mundial no berço do surf. Os olhos do mundo voltam-se após anos para aquele lugar mágico. Serão apenas 30 minutos. 30 minutos em que a glória e o fracasso caminham lado a lado. Mick e Parko revivem a saga de Andy e Kelly em 2004. Mas quem? Quem?

O nervosismo dita o ritmo da bateria. Em sua primeira onda, Parko desce uma bomba e tem sua prancha quebrada ao meio na bancada. A praia inteira vai ao delírio. Um aperitivo a altura do banquete que estaria por vir. Fanning é cruel, frio, calculista. Nos poucos minutos em que Joel se ausenta, o Aussie tira da cartola um 9.17, e apimenta a grande final.

Aquela nota abala Parko que, pressionado, encontra mais uma vez a afiada bancada de coral, tendo que novamente sair da água em busca de uma nova prancha. Os Deuses Hawaianos parecem não querer coroá-lo com seu primeiro título. Mick tem o relógio a seu favor, e sabe como usá-lo. Não abusa. É seletivo. Mas Joel está lá novamente, remando forte no outside. Desistir nunca foi a dele. O locutor anuncia: 15 minutos para o término.


Uma corrente de adrenalina toma conta da praia. Parko tem a prioridade, mas nenhuma nota que entre no somatório. Está ansioso. O drama da contusão parece não sair de sua cabeça. Lá vem ele em mais uma bomba, desce no limite, entuba fundo, corre, corre e sai na baforada. Comemora com nada menos que 4 socos no ar. Volta a ser o Joel Parkinson que conhecemos. Aquele 9,5 o colocou de volta na bateria e liderança provisória, já que Mick ainda espera a nota de outro bom tubo. E ela sai: 8,17. A pressão muda de lado novamente. O toque de 5 minutos é anunciado. Mas é Fanning que vem novamente em mais uma esquerda. Sua técnica encanta. Ele não dá chances, e completa o tubo com exímia perfeição. Comemora como campeão. Pode ser a nota do título. O 10 unânime é anunciado. Ele sente o gosto do bi campeonato. Restam Apenas 2 minutos. Só um milagre salva Parko, que tem a prioridade e precisa de uma nota acima de 9,7. Uma série monstruosa aponta no horizonte.

..

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Off Surf - Redemption Songs


É a mais linda de todas. É a mais pura, a mais verdadeira, a mais tudo. Nunca quis defender que Bob amava uma ou outra canção sua em especial, mas meu sentimento contrário a isso é tão forte, que não posso mais ser neutro. Redemption Songs foi sua menina mais doce, e ao mesmo tempo sua amante mais louca. Num momento mágico, que por segundos vou fantasiar em minha cabeça, mesmo sem imaginar onde, nem como, Bob parou, e sentou-se. Tirou do bolso seu humilde caderno de anotações, e do outro, um Spliff a qual tinha tanto gosto. Queimou-o devagar, e foi levado a um estado de espírito elevado. Ali, sentiu o poder de uma vida inteira de dedicação, de luta, de muito trabalho. E chorou. Chorou feito uma criança, uma criança que no fundo ele sempre foi, talvez por amá-las demais, ou talvez por ser puro como elas. Aquela lágrima dizia tudo. Aquela lágrima nunca secou. Lembrou de suas crenças, do quão difícil foi chegar até ali, das mãos do “Todo Poderoso” que o salvaram, e seguiu a escrever. Não titubeou um segundo sequer em reescrever uma palavra, elas fluíam como uma mística natural. O feeling conduzia seus pensamentos, que conduziam suas mãos. Entrara numa dimensão de paz absurda, de libertação, que só ele conhecia. Pensou em tudo novamente, e pediu humildemente, que nós, seus eternos adoradores, ajudássemos a cantar mais uma canção de liberdade. Nossa adoração, e tudo que devotamos a Nesta, é nosso, em particular. Seguir seu caminho é uma delas. Mas ele não tinha isso. Ele era o próprio caminho. E continuo a escrevê-la sem pudor. Cada vez mais louco, esqueceu-se de tudo, de quem era, da sua fama, do seu legado, dos seus compromissos. Transportou-se ao passado, voltou a ser o pequeno Nesta, lá em Nines Miles, sentado em uma árvore, com a brisa presenteando seu rosto, quando não tinha nada, mas tinha tudo, porque sempre teve, e sempre terá em qualquer lugar que esteja, com aquele sorriso inconfundível, suas Canções da Redenção.

Quando estiver preso, sufocado, não vendo a porta de saída, pare onde está, respire e escute Redemption Songs. Ela trará sua liberdade de volta, assim como trouxe a minha, antes de escrever estas palavras.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A Batalha Final


O ano de 97 foi inesquecível para o nosso bairro. A febre do jogo de botão havia chegado com tudo, e Pantufa e Dodô protagonizaram a corrida pelo título mais emocionante da história.

Pantufa ganhará 2 torneios seguidos logo de cara, um deles com uma goleada de 5x1 em cima da Squadra Azurra, time com o qual eu jogava, abrindo boa vantagem no ranking. Suas jogadas eram difíceis de serem marcadas, sabia o ponto fraco de cada adversário, o que tirava o sono de todos. Até que Dodô, um talento recém descoberto, e com sede de vitória, conseguiu. Eliminou Pantufa numa semi-final, e depois dali, ninguém mais o parou.

Dodô ganhou os próximos 3 torneios e chegou ao último como líder do ranking, com Pantufa em sua cola. Ambos precisavam da vitória para levantar a taça sem depender de ninguém. Lembro que quase parei Dodô nas quartas, arrancando um empate sofrido no tempo normal, mas derrotado na prorrogação. A final entre eles era inevitável, e aconteceu. Quem ganhasse, era o cara. A rua parou. Na casa de Maiquinho, onde aconteciam os jogos, mais de 80 pessoas empilhadas assistiam o duelo de 2 jogadores que se criaram juntos, aprenderam a jogar juntos, vinham da mesma escola, mas tinham estilos diferentes.

Fanning é o Dodô de 97. Teve uma primeira metade de ano apagada, sem resultados expressivos, mas sempre ali, pontuando, incomodando, sem nunca perder os líderes de vista. Quando ganhou sua primeira etapa, ninguém mais o parou. Parece ter soltado o pé de vez. Voltou ao rip com fome por título mundial e respondeu a altura as críticas ao seu surf.

Em Pipeline, tem a nada fácil missão de vencer, ou barrar Pantufa, quero dizer, Parko. Que não é porque teve uma segunda metade de ano apagada, que está morto, pelo contrário, aquele 10 em Portugal foi a prova de que a disputa será onda a onda.


Resta aguardar, e ver com os próprios olhos se o tubo que dará a vitória a algum deles virá nos segundos final, como o gol que consagrou Pantufa com o título inédito naquele ano inesquecível.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu acredito. E você?


Deixo minhas considerações gerais a respeito do Mineiro para o final do ano, pois o momento é de incentivo total e tenho muito respeito e admiração pelo que ele tem feito, mesmo com ressalvas. O surf Brasileiro merece esse título. Go Champion!

Quem acredita que Fanning é o líder do ranking, engana-se. O WCT, para quem não sabe, é composto por 10 etapas, sendo válidos apenas os 8 melhores resultados de cada atleta no ano. No ranking que é divulgado, ficam computadas todas as etapas, sem os descartes.

Pelas contas que acabei de fazer, Parko hoje teria dois 17° para eliminar, tendo no somatório total 5.486 pontos. Enquanto Mick eliminaria um 17° e um 9°, ficando com 5.340 pontos. Ou seja, Joel ainda está liderando a briga pelo título mundial faltando apenas 2 etapas.

Daí alguém pergunta, e nosso Mineirinho, que finalmente conseguiu uma vitória digna de aplausos barrando Kelly na semi, e com certa indignação da minha parte por ter desfilado com a bandeira espanhola ou sei lá de qual país era aquele pano velho, após sua vitória. Peraí né Mineiro, deixa a verde e amarela preparada para exibi-la com orgulho.

Bom, Mineirinho está no páreo sim. Eliminando um 17° e outro 33°, ele soma 5.138 pontos, pouca coisa menos que seus rivais. Ainda dá. E com o surf no pé que ele apresentou no País Basco, o bicho vai pegar.

Conversei agora a pouco com um brother que morou 5 anos em Portugal e conhece bem a onda da próxima etapa, o The Search da Rip Curl. Ele me confessou que é uma esquerda forte, rápida, fundo de pedra, e com uma parede sensacional. Mas o que mais me animou, foi o fato da onda não quebrar constantemente tubular, pelo relato dele e, ao contrário do que todos estão falando. Bom pro Mineiro se isso se concretizar.

E digo mais, se chegar em Pipeline brigando pelo título, aí tudo pode acontecer. Afinal, em terra de cegos pelos “queridinhos da mídia”, quem tiver olho pode ver De Souza se tornar Rei.

Arrepia moleque!

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=9039

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma escola de surf chamada Austrália


Pelé foi e sempre será o grande nome do futebol mundial. Mas há quem diga, e não são poucos, que ele não foi o homem que melhor soube brincar com a bola. Maradona, Garrincha, Zico, Platini, Beckenbauer, Romário, Cruyff, Di Stéfano, Zidane e até Ronaldinho Gaúcho, no auge de sua carreira, trataram de colocar este ponto de interrogação na cabeça de todos.

Em contrapartida, de uma coisa ninguém duvida, o Brasil teve e tem a melhor escola da história do futebol. 58, 62, 70, 94, 02 e, junto às máquinas de 82 e 86, mesmo sem os títulos mundiais, encantaram o mundo pelo conjunto da obra, por reunir tantos craques, tantos gênios; homens que traduziam talento no mais puro futebol arte.

No surf, a unanimidade em relação a Slater é infinitamente superior a de Pelé no futebol. São poucos os que ousam dizer que existiram surfistas melhores que o careca da Flórida. Mas também são poucos, os que questionam que a escola americana foi a que mais revelou talentos ao mundo. Tom Curren, Tom Carroll, Jeff Clark, Laird Hamilton, e tantos outros não citados, formaram em suas épocas, esquadrões imbatíveis.

Mas note em meu texto, que ao contrário da seleção canarinho, o verbo só é usado no passado. Se não fosse por Slater, quem estaria representando o surf americano no mais alto nível? Reynolds, CJ, Damien, Martinez? É muito pouco para quem teve tantos nomes de peso no surf.

A escola Australiana, há anos, vem preparando e formando o futuro dream time do surf mundial. Os “Cooly Kids” ainda são a bola da vez. Mick e Parko conduzem este ônibus lotado de cangurus cheios de estilo, talento, e inspiração para os novos tripulantes que, liderados por Julian Wilson, prometem dominar os mares do mundo pelas próximas gerações.

As raízes Hawaianas e o domínio americano por décadas, assim como o resto do mundo, vêem-se refém da evolução das máquinas, que neste caso não tem o aço como matéria prima, e sim, o puro talento humano.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Uma cobra estranha no ninho


Estava tudo planejado. O ninho americano em Trestles havia sido construído com a bandeira Yankee tremulando no seu ponto mais alto. Slater, Reynolds e Machado eram os pássaros preferidos da casa, com a missão de defender com unhas e garras seu domínio. Ali, ninguém ousaria ameaçá-los. Pelo menos essa era a ideia.

Quando a competição começou, minhas atenções estavam voltadas para os queridinhos da América. Queria ver até que ponto o localismo iria interferir diretamente nas notas e favorecimentos, neste conturbado momento que o surf mundial vive. Surpreendi-me positivamente.

Kelly estava arrasador de quiver novo. Como sempre, não precisou da ajuda de ninguém para abater, bateria a bateria, suas presas. Aos poucos os intrusos mais indesejados foram sendo despejados da casa. No segundo dia, Taj sofreu com as bicadas de Rob, dando adeus a todos e a briga pelo título mundial, repetindo a mesma novela de sempre.

O inspirado Machado, que mostrou estar com um surf afiado depois da trip na indonésia, aproveitou o rip e usou suas garras para expulsar sem piedades Parko da etapa, logo na terceira rodada. O roteiro estava sendo seguido à risca. A essa altura, alguém ainda teria forças para mudá-lo?

Quando conversei rapidamente com Mick no Rosa Sul, durante o WCT, entendi o porquê ele é casca grossa. Todas as características que julgo necessárias para se formar um campeão, habitam também sua cabeça. E mesmo esbanjando ao longo do ano, um surf muito técnico e forte, os grandes resultados não vinham aparecendo. Até que, com o perdão da mudança de expressão, cutucaram a cobra com vara curta, e ela era albina.

Kelly que vinha fazendo um ótimo campeonato, quando sentiu a presença do predador dentro de sua casa, não soube o que fazer. Ver Slater dominado em poucos minutos é uma coisa rara. Mas aconteceu. Fanning o deixou em combinação logo de cara, e aos poucos, foi matando sua presa onda a onda, para delírio dos Aussies.

O bote final era inevitável. Quando uma cobra albina experiente e venenosa entra no ninho, não há o que a tire dali até seu extermínio estar completo. E Reynolds seria o último a provar o amargo sabor do seu veneno. Fanning não queria saber de esperar, começou sua guerra contra o último pássaro em um ritmo alucinante, atacando-o logo de cara e, como de costume, não dando chances para a vítima.

O território estava dominado. Mick, com merecimentos, é o cara. E a bandeira norte-americana, que enfeitou aquela casa durante todo o campeonato, desta vez foi devorada não por um canguru, e sim, por uma cobra faminta que ainda tem muito veneno pra gastar.

Segura agora que eu quero ver.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Se o surf fosse só surf


E se o surf fosse só surf.
E não tivesse o pôr do sol, o nascer da lua, o canto das gaivotas, o pulo dos cardumes.
Se não sentíssemos a areia no pé, a lycra no corpo, a falta do ar.
E se o surf fosse só surf.
Sem a adrenalina da previsão, o frio da água gelada, a chegada no pico.
E se não existisse o vento pra atrapalhar, a chuva para abençoar, a série para varrer.
E se o surf fosse só surf.
E não vivêssemos o tesão de uma trip, de atolar o carro várias vezes, de entrar em roubadas, de rir de tudo isso.
E se não tivesse os clássicos, os dias sem onda, o crowd, a busca pelo secret.
E se o surf fosse só surf.
Sem o trabalho de passar parafina, do amor pela prancha, da dor pela perda.
Se não conhecêssemos Kelly Slater, Andy Irons, Eddie Aikau.
E se o surf fosse só surf.
Sem o café da manhã reforçado, o grito da galera com aquele aéreo, o delírio da menina com aquele aceno.
Se não existisse a Indonésia, o Hawaii, a Gold Coast.
E se o surf fosse só surf.
Sem a bancada afiada, o sangue pela glória, a companhia dos golfinhos.
E se o surf fosse só surf. Sem nada disso.

Você surfaria?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Qual a bandeira do novo tour?


Quem liga para o dinheiro quando está surfando? A resposta é simples: o novo tour do Slater.

A bola da vez no surf encheu o saco. Tudo que eles queriam era mídia gratuita, e conseguiram. O novo Dream Tour, se concretizado, começa sua caminhada já no topo da montanha. Todos os sites de surf especializados só falam nisso, os comentários dos surfistas são os mais variados, todos sem fundamento, analisando o fato de ninguém saber o que acontece de verdade nos bastidores.

Mas uma coisa é certa, o novo Tour não agrega nada de bom a não ser a premiação. Pelo contrário, vai limitar muito a nova geração que vem por aí. Em vez de juntos buscarem a evolução para o esporte e, com isso, agregar um valor maior em $$, não, preferiram o radicalismo que vai na contramão da essência do surf.

Vendo de fora, Slater me decepcionou. Mas como sei que de nada sei, não me aprofundo muito no assunto, até porque ele só interessa aos queridinhos do Surf. E desse feeling eu quero distância. Laird Hamilton aplaudiria.

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=8217 e http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=12257

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Proteção Eterna

O homem a qual busquei inspiração, que gritou a liberdade em palavras, me socorreu nos momentos mais difíceis, autor das letras que mas li na vida, das músicas que tanto fazem minha cabeça, da positividade que tanto procurei. Please, play Bob Marley!

Errar é somente humano?

-

Todos que me conhecem sabem que nunca fui muito adepto à tecnologia. Seus inúmeros benefícios se comparados aos malefícios, parecem mais formigas diante de elefantes. É uma luta desigual na cabeça das pessoas, que doutrinadas pela ignorância, seguem influenciadas por pequenos grupos que criam rotinas, formam gerações e inibem a genialidade. Uma guerra perdida que nos roubou os ex-futuros Marleys, Lennons, Guevaras, Nietzsches, Burroughs, Da Vincis, e tantos outros que afloram o ápice cerebral.

Perdemos a arte da rua para os jogos virtuais. Ganhamos bens descartáveis no lugar dos mais duráveis, a magia de um encontro casual por palavras pré-prontas no Orkut, e tantos outros vagões que deixam este trem cada vez mais feio e sem graça.

Em contrapartida a isso, a tecnologia voltada para o surf é utilizada de forma quase sempre inteligente por nós, surfistas. Pois a transformamos em uma veia, e não no coração, que será sempre o surf.

A maior de todas as vitórias considero a previsão. Sol, chuva, ondulação, vento, período, não importa. Você já sai de casa com um planejamento certo, a prancha certa, e sabendo qual o pico certo. Fantástico. Útil. Inteligente. Será?

Sábado sai chutando a água após uma session que marcava vento terral, com intensidade fraquíssima e um tamanho totalmente oposto ao que encontrei. Tudo errado. Achei que estava louco. Em certo momento no outside, brinquei com um brother, - vimos à previsão para Gold Cost, só pode.

No fim do dia, corri para internet e confirmei o erro da previsão. Analisei que a ondulação baixaria ainda mais para o domingo (como ainda marcava hoje pela manhã), com um vento nordeste forte, e resolvi esticar na noite. Ao acordar, 10 am, percebi que o vento era quase zero. Peguei minha 6,0´ e fui me jogar nas merrécas na frente de casa. Para meu espanto, ao chegar, me deparei com um mar gigante. As séries chegavam aos 8 pés nas maiores, os tubos rodavam secos, a textura perfeita, o crowd era intenso, adrenalina pura. Tava de sonho.

Eu? Achei que estava realmente louco, não entendi nada, esfreguei os olhos 5 vezes, me joguei de pranchinha mesmo e fiz a cabeça. Mas e no próximo, será a tecnologia minha inimiga novamente?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Minha prancha. Meu amor.

-
---------------------------------Minha Sereia

Todos nós devotamos um amor especial a alguma coisa na vida. E quando falo coisa, não me refiro a ideais ou estilos de vida. Refiro-me a um carro, um cachorro, uma coleção de isqueiros, uma garota, uma guitarra, um computador, ou até uma camiseta.

Seja lá o que for isso torna esta “coisa” única e inseparável. Nós, surfista de alma, não somos diferentes. A adrenalina de saber que em poucos dias uma prancha nova estará em nossas mãos, é tão ou mais extasiante do que ver pipeline quebrando em condições épicas.

Ela não é um objeto, é um desejo. Daqueles que você dorme pensando, e acorda parecendo que nem dormiu. As medidas são dos sonhos, a rabeta com um acabamento perfeito, a fluidez de uma deusa, e a sintonia na melhor frequência.

No primeiro encontro, é amor a primeira vista. Não tem jeito. Quando junto dançamos, o sentimento dá lugar a admiração, - ela é realmente perfeita. Voltamos no tempo, parecendo crianças em frente a um pirulito. Fizemos loucuras, tomamos banhos juntos, limpamos seu rosto para ficar branquinha, juramos amor eterno, somos vistos como loucos pelos vizinhos, e só não a levamos para a balada, porque somos ciumentos demais.

Mas nem tudo são flores. Quando ela se machuca, nosso coração aperta. Vamos atrás dos melhores hospitais e nem pensar em entregar na mão de qualquer médico. Tem que ser o melhor. A espera nos deixa aflitos, nossos dias não são como antes, e quando a cicatriz fica muito grande, derramamos água salgada pelos olhos, porque no fundo ou no raso, somos loucamente apaixonados por ela.

O tempo é o senhor da razão. E como tudo na vida, a velhice também chega. Sua cor já não é mais a mesma, seu desempenho não nos satisfaz mais, sua velocidade deixa a desejar, mas nunca a abandonamos, nem que seja para enfeitar nosso quarto e nossos olhos.

E por essas e outras, que eu sou louco por ela quanto pelo mar. Porque sem os dois, eu estaria todos os dias a procura de um grande amor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Da areia para água


A base para qualquer coisa na vida e que sempre foi uma das bandeiras levantadas pelo surf, é a ausência de preconceito. Essa deveria ser a característica básica do ser primitivo homem. Mas não. Taxamos pessoas conforme nossas visões, nossos conceitos, nossos ideais, quando na verdade “se você julga as pessoas não tem tempo para apreciar suas qualidades” - disse-me certa vez um brother.

No universo feminino do surf isso não é muito diferente. O preconceito existe, sim. E de forma gritante. Analisando pelo lado da mídia, as garotas são jogadas de lado, patrocinadores quase não existem, os eventos são poucos, com baixa premiação e uma cobertura medíocre.

Dentro de casa, a ignorância é ainda maior. Na maioria das vezes, o apoio por parte da família é quase zero. Como se o surf não fosse uma profissão tão bela quanto o balé e digna quanto à psicologia.

Mas o que mais me intriga é o preconceito dentro da água, que neste caso, está ligado a uma forma de machismo. As garotas são rabiadas na cara dura. O respeito foi deixado na areia. Piadinhas de mal gosto são constantes. Analisa-se muito mais a bunda do que o surf , e por aí vai. Viva os haoles pegadores de gripe.

Na contramão disso tudo, as meninas estão quebrando, vivendo seus sonhos, fazendo a cabeça com o surf. Se a força física atrapalha, mentalmente elas dão aula de persistência. E se o apoio não vier de quem ama o surf, assim como elas, vamos esperar que venha de quem?

Se sua praia está lotada de haoules bancando tubarões, comece a caçada ao preconceito, porque a minha está lotada de gatinhas virando sereias.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sonhos de um sonhador

-

Um dia viverei tudo que escrevo. Serei dono do meu nariz. Sairei por aí com o tesão de quem tem fome por ondas, livre ao meu gosto, preso ao meu destino. Irei de encontro ao desconhecido, esbanjarei minha juventude, brincarei com as crianças, cantarei com os mendigos, brindarei o sol todos os dias, dando risadas em outsides pelo mundo afora.

A desculpa do dinheiro que tanto me atormenta, a cada dia perde uma batalha para meu sonho. Se não o tenho suficiente para tanto, nem para pouco, meus pés e minha vontade assumirão seu lugar. Trocarei o conforto de um banho quente por uma barraquinha em frente ao mar. Deixarei meus brothers e irmãos por desconhecidos que nem imagino encontrar. Buscarei meu alimento em árvores em vez de restaurantes. Serei livre. Livre como nunca fui.

Nascerei novamente.

O obstáculo da motivação é o medo. E quando você é dependente só de você, muitos pensam que o medo vence. Mas nada, nada é mais forte do que a sua força, o seu sonho. O mistério que guarda o amanhã é um imã para mim. A filosofia de mundo que tanto reflito são as páginas em branco. E o surf, ah o surf é a veia central que bomba meu coração todos os dias.

Quero que se foda tudo. Por que esse maldito capitalismo a qual tenho tanto desprezo, não será suficiente para derrubar o que um ser humano tem de melhor: viver como quiser a sua vida.

Inspire-se.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Rob Machado de volta à vida

Rob “style” Machado separou-se há pouco tempo. Deixou pra trás mulher, filhos, mas não o gosto pela vida. Ciclos são feitos de início, meio e fim, mesmo quando prematuros. Fecha-se um capítulo, abre-se uma página em branco. Grande pessoa que é, o magrelo mais estiloso que o Surf conheceu, começou a escrevê-la internamente em uma busca frenética pelas ondas na indonésia.

Preferiu o barulho do mar ao dos carros, o canto dos pássaros ao despertador, a vida tranquila ao agito. Rob isolou-se. Fez da reflexão sua companheira inseparável. Remou na onda mais difícil da sua vida, mas não encontrou a afiada bancada de coral, pelo contrário, saiu na baforada em grande estilo junto a sua barraquinha com espaço para ele mesmo.

Não perdendo a oportunidade, Taylor Steele aproveitou este momento genial e espiritual e filmou “The Drifter”, que por tudo que apresenta promete ser um clássico com previsão para setembro deste ano.

Uma grande história. Altas ondas. Um cenário alucinante. E a nova liberdade de Rob. Assista. Pode ser que assim, você nunca desista como ele, de encontrar a sua.


Valeu a dica Alemão!

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=7997 e http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=12032

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Quebrando tudo na Surf Art

Engraçado como coincidências acontecem. É a positividade do surf correndo os pensamentos. Após publicar a matéria sobre o secret, recebi hoje pela manhã uma pintura que meu primo e brotherzão havia encomendado com um maluco que pira na Surf Art, conhecido como Marcos Art Surf. A tela dispensa comentários. Mando bem moleque. Aprecie e sinta o cheiro da tinta salgada.


terça-feira, 11 de agosto de 2009

A busca pelo Secret

A febre da calça jeans nos anos 50 arrastou multidões as lojas do mundo todo. Hippies exibiam-se na década de 60 ao seu bom gosto sem ligar pra nada. A opressão tinha que acabar. O animal homem era revolucionário. Verdadeiro.

O Rock and Roll repetiu o feito nos anos 70, imortalizando heróis, criando ícones, elevando a rebeldia. A juventude estava em êxtase. O Woodstock deu um nó na cabeça dos engravatados. Os valores estavam mudando. Marley metralhava os maus de alma com suas palavras. O reggae também começara a ganhar o mundo.

O surf era visto como um esporte de drogado e vagabundo. O skate muito mais. Os Z-Boys, de Dogtown, comunicavam-se através de rodinhas. Era sim possível inventar, ir mais além, ser inovador. Wayne Bartholomew desenhava linhas na água com um surf jamais visto, acompanhado por Mark Richards e uma turma com um feeling surreal. Era o despertar para novas tendências. O novo já nascia velho. A tecnologia não passava de lixo se comparado a esses movimentos.

Os anos 80 trouxeram uma nova visão do vídeo clipe. Michael Jackson era o cara. O vídeo-game doutrinou a cabeça da molecada na década de 90. Ayrton Senna esbanja talento. O tetra viria de forma medíocre. Mas veio.

E hoje em dia, nos anos 2000, se assim podemos chamar. Qual é o “boom” tirando as porcarias inúteis tecnológicas? O surf? Não. É o Crowd.

O que mais cresceu no mundo, foi o crowd. Seja no surf, no metrô, na padaria, nas baladas, onde for. O caos é total. Somos assombrados pelos nossos vizinhos humanóides todos os dias. Não importa a praia que você chegue, se tiver onda, tem gente surfando. Isso não é bom. Isso não gera a positividade.

O surf tá no seu melhor momento. A evolução é visível. Os equipamentos melhores. As manobras mais radicais. Mais, mais, mais e mais. Tudo cresce menos as praias.

Encontrar um secret hoje é tudo que um surfista sonha. Surfar altas ondas só com os brothers já é entrar na água de cabeça feita. Uma busca tão intensa quanto à onda perfeita.

Como procurar? Isso é um segredo que cada um protege a sete chaves, pois quando o assunto é o mapa do tesouro, até pirata abre o olho. Garimpe o seu, pois o meu, está escondido a 50 metros de casa.

-----------------------Secret / quintal de casa em dia épico

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=7943 e http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=12000

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Surf é poesia. Meu amor, quem diria.


Do salgado fez o doce.
De nada sabia, tudo possuía,
que belo seria, dropava, sorria.

Era encanto, mar, poesia.
Se brilhava, estava.
Se partia, chovia.
Amava, pura magia.

Moleque atrevido,
amante das coisas que não se via.
Foi súdito, virou príncipe,
quem diria, reinaria.

Alma leve, eternizada,
da pureza que o fez, pelo sempre dependia.
Horizonte de paixões,
meu surf em minha vida,
assim seja,
o destino traçaria.


terça-feira, 4 de agosto de 2009

Dois Rivais. Um só destino.

Hoje a tarde um brother, surfista e antigo colega de trampo me fez um questionamento: “por que você não escreve no blog sobre o “A Fly The Champagne”?

Realmente o filme merece aplausos. A produção, as ondas, a trilha sonora, o cenário e os atores, o colocam na lista das grandes obras do surf mundial.

Provavelmente o que motivou Slater a encarar a barca, foi pela primeira vez fazer uma trip ao lado de Irons. E sem dúvida, o que impulsionou Andy, foi fazer um freesurfer sem obrigação nenhuma ao lado de Kelly. Isso já basta para eles.

A maior rivalidade da história do surf se tornou uma grande amizade. Homens de verdade não se odeiam, se respeitam. Kelly confessou que Andy foi seu maior carma. Andy confessou que Kelly foi seu maior adversário.

O surf é mesmo mágico. Capaz de unir a água e o óleo em um mesmo recipiente. Tente imaginar Tyson e Holyfield saindo juntos para dar um rolê atrás de uma briga. Impossível, não?

Pois bem, no surf tudo é possível. Para completar o time que pega altas ondas nos secret points mais sinistros do mundo, as filmagens ainda contam com o insano Shane Dorian. Fica a dica para quem não assistiu. Já que foi dela – uma dica – que surgiu a ideia de escrever este post.



Publicada também http://www.camerasurf.com.br/index.php?secao=11&noticia=11914 e http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=7964

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Além do limite

Todo mundo sempre tem grandes ídolos na vida. Comigo não é diferente. Pela batalha, citaria minha mãe. Na literatura, lembraria de imediato Bukowski. Na música, sem dúvidas Marley. Na arte moderna, Jay Alders. E por aí vai.

Quando o assunto é surf, uma das coisas que mais amo na vida, a resposta também é imediata e sem questionamento: Andy Irons. Andy sempre despertou muitos sentimentos em mim ligados ao surf. Acompanhei de perto sua triologia de títulos - o mais brilhante deles vencendo Slater em Pipe - de perto.

Seu estilo sempre foi uma inspiração. A técnica, o life style, a frieza e a devoção ao mar, a motivação. Irons nasceu em um dos lugares mais chuvosos do mundo, o Kauai. E se você vê isso como uma maldição, eles veem como uma benção.

O moleque de temperamento forte sempre falou o que quis, na hora que quis, e para quem quisesse ouvir. Foi e é o maior atleta que o Hawaii revelou, o mais polêmico, o mais louco, o mais tudo. Só isso já o tornava especial.

Teve fama, dinheiro, fãs. Faltou-lhe a cabeça. Mas que cabeça? Andy é verdadeiro. Nunca quis pousar disso ou daquilo. Faz o que seu coração manda, mesmo que por vezes, elas tenham o prejudicado de uma forma absurda. As drogas e a rebeldia sempre estiveram do mesmo lado da moeda. Mas os Deuses também. E por isso, a moeda sempre caiu do lado contrário, fazendo ele levantar-se como manda a tradição do seu povo.

Quem tanto o critica, o inveja. Pois vê em Irons o verdadeiro Soul Surf. Poderia ter sido o maior de todos os tempos, mas não, queria apenas diversão. Não gosta de ser morno. Ou ferve, ou esfria. E sempre que passa do limite, liberta o verdadeiro espírito Hawaiano que o imortalizou para sempre. Mas não por seu temperamento, e sim, pelo seu talento.


Olha a estilera desse cara. A melhor sessão do Trilogy. Andy quebra tudo.

-
Publicada também

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Ápice da Perfeição. O maior Drop da História do Surf.

O ano era 2005. Slater voltava ao tour faminto por mais um título mundial. Depois de um começo sem grandes resultados, todos os caminhos levavam ao Tahiti, na mais temida bancada de coral do mundo. Teahupoo era a onda da vez.

Mestre nos tubos de backside, Kelly sabia da importância que aquela vitória teria. Para complicar as coisas, nas oitavas de final tinha pela frente o Bruce, que não tava nem aí pra nada. Só queria vencer Slater – como ele mesmo disse.

As ondas estavam mágicas. As esquerdas de Teahupoo funcionavam perfeitamente, com bons tubos de 1,5 a 2 metros de face. Era a certeza de um grande show. De cara, Bruce pega um tubaço e Slater dá o troco a seguir. 8.83 para o Hawaiano, 7.5 para o Americano. Tinha muita água para rolar, e pelo ensaio, a bateria prometia entrar para a história.

“Eu estava muito nervoso, sabia do potencial do Bruce ali naquelas ondas”, confessa Slater. Dito e feito. Passado mais alguns minutos da bateria, o irmão mais novo da família Irons encontra mais um tubão perfeito, anda lá dentro e saí de forma triunfante. Kelly só assiste de camarote. Irons recebe um 9.5 dos juízes, volta sorrindo para o outside, e deixa a lenda do surf em combinação, precisando de 18.33 para virar.

Faltavam 10 minutos. Slater estava atordoado. O mundo presenciara um Rei sendo derrubado do seu trono com duas marretadas fatais, naquelas condições épicas, pelo irmão do seu maior rival. Era a história sendo escrita pelo coadjuvante do espetáculo.

Foi então que surgiram momentos em que nós, simples mortais, realmente refletimos sobre a vida; o talento, a energia, o sobrenatural, o mágico. Quando Kelly dropou aquela onda e caiu, porque ele realmente caiu, eu baixei a cabeça com um ar de decepção. Quando ele levantou e saiu, porque ele realmente saiu, eu levantei a cabeça com uma sensação que ainda não senti igual.

Com certeza, aquele foi o maior drop da história do surf mundial. Ninguém, em dimensão nenhuma fez aquilo, naquela onda, naquelas condições, contra um grande adversário, precisando de 18.33. Ali, a perfeição do Surf foi atingida. Depois daquilo, mesmo precisando de um 8.3, nada pararia o homem invencível. Slater fez mais um 10. Somou 20 pontos. E mostrou ao mundo que independentemente do Deus que você acredite, se é que acredita, no universo Surf ele atende por Kelly. Kelly “God” Slater.


Apresento-lhes o Drop:

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Busca Eterna

Escolha um lugar para morar. Paute sua vida. Crie uma rotina que lhe agrade, ou desagrade. Troque anos de trabalho por um carro, com sorte uma casa. Acorde com o barulho do despertador. Durma com a sensação do cansaço. Tenha filhos. Uma carreira. Uma boa reputação. Um bom nome. E viva a vida como 99% das pessoas vivem.

Se Alex lesse o que escrevi acima, abriria um largo sorriso, miraria o sol com seus olhos e usaria alguns dólares para fazer uma fogueira e queimá-los junto a essas míseras palavras. Eu aplaudiria.

Supertramp foi um grande pássaro que nasceu no ninho errado. Um sonhador. Um aventureiro. Buscou seus instintos mais primitivos para viver intensamente os poucos anos de sua vida. Procurou tanto pelas respostas, que acabou encontrando ainda mais perguntas.

Um jovem como poucos, de uma inteligência rara, de uma visão apurada. Encantou a todos com sua simplicidade. Foi verdadeiro até quando as palavras doíam, e se apoiava em seus mestres:

“Em vez de amor, fé, dinheiro, justiça, equidade, dê-me a verdade” - Henry Thoreau

Sem ambição nenhuma na vida, viveu uma grande história que, se não tivesse um fim trágico, não seria conhecida por ninguém, já que isso era o que eles menos buscava: fama

Agora eu me pergunto: o que isso tem a ver com nós, surfistas? Tudo. Só que em dimensões diferentes. Em contextos diferentes. Em situações diferentes.

Digo com certeza que existiu por aí grandes surfistas, que buscaram o mesmo que Alex, só talvez em vez das palavras e dos pensamentos, encontram isso no mar e nas ondas.

Onde quer que esteja, sua história é uma de minhas motivações. Valeu Cris, Alex ou como você mesmo se chamava: Supertramp.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tenho um Ás de Ouro na manga

-----------------------------Jadson entuba com estilo

Não é novidade pra ninguém minha admiração pelo talento do Jadson. Inclusive, quando fiz este blog, a primeira matéria foi sobre ele. O garoto ta sobrando. Depois de uma razoável participação no WQS na praia mole, o moleque com futuro promissor, está quebrando tudo em Saquarema.

Com um Front Side afiado, ele destruiu tudo hoje no pico e já abriu vantagem na liderança do WQS.

Como falar demais parece que não traz bons fluídos para nossos atletas (mineirinho que o diga), deixo que o Surf dele fale por minhas palavras. Porque quem está do lado contrário a mesa, está numa ruim, já que tenho na mão, a melhor carta do baralho.
-
Arrepia Moleque!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sintonia de arrepiar

Existem tantas pessoas no mundo que eu gostaria de conhecer. Por minutos que fosse, trocar algumas palavras, falar sobre a vida, o surf, a natureza, o mundo espiritual, ou seja lá o que for. A lista é grande. Desde um grande surfista até um excelente músico de rua, que mesmo com um talento absurdo, depende da bondade alheia para sobreviver.

Entre elas, está David Rastovich. Conheço “Rasta”, como é chamado, somente por vídeos, fotos, entrevistas, documentários e reportagens. Mas isso já foi o suficiente. Sua simplicidade e seus ideais contagiam a todos que realmente vivem o surf de alma.

Um ativista nato, defensor com unhas e dentes dos animais marinhos, em especial as baleias, por quem já declarou seu amor e viaja direto até o Japão – país de gente medíocre e assassina - para defendê-las.

David não tem regras. Não pauta sua vida. Faz tudo ao seu gosto, é um artesão de mão cheia, cuida de sua horta, faz suas próprias pranchas, constrói seus instrumentos e, entre tantas coisas, não come carne. Aliás, quando eu estava inclinado a abandonar todo tipo de carne, li sua entrevista na fluir. E quando na resposta final, ele pediu aos surfistas do mundo que se tornassem vegetarianos, não tive dúvidas, era a hora de parar.

Na água seu estilo de moleque é polido, com uma linha impecável e tubos de tirar o chapéu. Freesurfer de alma, não se preocupa em competir, nem em ganhar. Apenas em viver e compartilhar.

Fica a dica: conheçam Rastovich, nem que seja apenas por vídeos e documentários, ou se preferir, alguém familiar as ruas, mas que, é tão talentoso quanto Rasta, Roger Ridley.





terça-feira, 14 de julho de 2009

Parko Nota 10

---------------------Foto: Kelly Cestari / ASP/ CI via Getty Images.
-
Mesmo com um estilo impecável de surfar, o forte do Parko nunca foi o tubo. Quando o mar acordou clássico hoje, e as baterias começaram a rolar, minhas atenções se voltaram para o que os juízes valorizariam mais. Não deu outra, o High Score só viria com um ou mais tubos.

Sem dúvida, Parko está no Rip, com gana pelo seu primeiro título mundial e patrolando quem vem pela frente. Depois das derrotas de Fanning, Cj, Taj e Mineiro, o caminho estava livre. Como eu gosto de ver as coisas pegando fogo, e a essa altura a faísca mortal é o Slater vencer em Jbay, com péssimos resultados de seus adversários, admito que torci contra o Aussie mal encarado.

Foi então que entrou aquela série perfeita, o narigudo se posicionou bem, desceu e entubou, a onda correu, correu, correu e correu. Vibrei com a vaca, pois ela aconteceu, não existia ninguém ali dentro, só se fosse um fantasma. Não seria possível alguém estar tão fundo e tão rápido naquela morra de 2 conto, acelerar e sair. Seria uma miragem, ou uma ilusão de ótica deste mundo moderno e sem cada vez mais sem graça. Mas não. Foi real, foi talento puro. Se eu fosse um juiz ali, reivindicaria a possibilidade de digitar um 11 em vez de um 10.

E digo mais, aquilo não foi só um tubão, foi a prova de que, novamente, teremos um Aussie campeão mundial com merecimento.

Só tu poderás Kelly. Mais ninguém.

O palco, os artistas e uma platéia alucinada.

----------------------------Slater é quem pode bater Parko

Seja você tiver que trabalhar amanhã, fique doente hoje. Se estiver pensando em madrugar para surfar, dê uma folga para seus pés e ponha o despertador para funcionar. J-Bay está épico. Como há muito tempo não se via. As séries chegam a 2 metros com uma formação quase que perfeita. É tubo atrás de tubo. São os Deuses que tanto veem o sofrimento do povo africano, abençoando o universo do surf. Nada mais justo, afinal, acredito que nós surfistas temos uma alma solidária em relação ao próximo e aos problemas mundiais, porque já vimos que se depender dos homens de gravata, nosso planeta e nossas praias estarão perdidos.

Abriram-se as cortinas em Jeffreys, e o espetáculo finalmente começou. Sem roteiro definido, livres a sua vontade, os artistas estão fazendo apresentações de gala. Cada um que entra no palco dá show em um estilo diferente. A platéia, composta de milhares de apaixonados pelo mundo, acompanha e vibra a cada cena, a cada ato, a cada Barrel.


Com uma ótima previsão para a quarta-feira, mantendo o tamanho e as condições do vento, o show também está garantido. A direção vai lutar para finalizar o campeonato, pois para quinta-feira o mar já baixa consideravelmente. Então seja criativo, invente uma desculpa, pegue a gripe suína, faça o que for preciso, mas não perca amanhã ao vivo pela internet, um dos maiores espetáculos de surf que a África - um paraíso tão castigado - vai ter guardado em sua história.

Publicada também http://www.nextsurf.com.br/home/view.asp?paCodigo=7467

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Surf Art


Um pouco de Surf Art, por um grande artista: Jay Alders

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Fábio Silva Vira em bateria Histórica

Estou chegando agora da mole. E ainda estou adrenalizado.
-
Aproveitei meu pouco tempo de almoço para dar um pulo ali, onde está rolando o WQS 6 estrelas. Para minha felicidade, quando cheguei, estava entrando na água meu vizinho e brother Fábio Silva, uma lenda do Surf Brasileiro.

Ele tinha pela frente uma bateria difícil, com Léo Neves, Victor Ribas e o gringo Gaudaskas. Léo impôs seu ritmo desde o início da bateria. Com um backside forte e afiado, Neves conseguiu 2 boas ondas para avançar em primeiro.

Vitinho, em má fase, passou despercebido na bateria e não encontrou as ondas. Nessa altura, a briga pela 2° vaga estava entre Fábio e o gringo, que gritava a cada onda que finalizava. Muito a vontade, o morador do Rio Tavares manteve a segunda colocação até os 5 minutos finais, quando Gaudaskas pegou uma onda e deixou Silva precisando de um 4.31 para virar. Muito agitado, ele remou de um lado para o outro e quando tudo parecia perdido, uma série surge no horizonte, o locutor já havia informado que eram os últimos 30 segundos da bateria.

Quando Fábio entrou na onda e cavou, a corneta tocou e naquele instante, lembrei de Slater em Jbay naquela final história contra o Andy. Mas ao contrário do Rei, a onda não abriu tanto e, também ao contrário daquele momento, Silva não caiu. Começou com um longo floter e uma forte batida na segunda manobra. Depois, espancou a onda até o limite. Quando finalizou, comemorou. E eu vibrei junto. Saiu da água correndo, com um sorriso no rosto. Corri junto até o palanque e, num momento mágico, o locutor anunciou 4.33, 0,02 a mais do que ele precisava. Fábio era só alegrias, e o gringo, que berrava tanto na água, gritou de raiva fora dela.
-
Aqui é Brazuca mermão. Congratulations Fábio!